Diogo Lopes, no litoral norte do Rio Grande do Norte, é uma comunidade pesqueira tradicional inserida na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, criada pela Lei Estadual nº 8.349 em 2003 para proteger a biodiversidade e assegurar o modo de vida das populações locais. Diogo Lopes faz parte do município de Macau e se destaca por sua natureza exuberante — dunas, manguezais, estuário e praias praticamente intocadas — e pela forte ligação cultural e econômica com o mar.
A principal atividade econômica da comunidade é a pesca artesanal e a coleta de mariscos, que alimentam tradições culinárias transmitidas há gerações. As marisqueiras, mulheres que conhecem profundamente os segredos do manejo sustentável de moluscos e crustáceos, são guardiãs de saberes ligados à gastronomia costeira. Suas histórias e técnicas de preparo fazem parte da identidade local e inspiram novas gerações a valorizar ingredientes regionais e modos de preparo ancestrais.
Foi nesse cenário que nasceu o curso de gastronomia comunitária em Diogo Lopes, pensado para valorizar os saberes tradicionais e conectar jovens e moradores à culinária regional, ao mesmo tempo em que fortalece o turismo gastronômico sustentável. O curso aborda desde a história do lugar e das técnicas de pesca e coleta, até aulas práticas de cozinha que exploram ingredientes endêmicos e pratos da pesca artesanal.
Durante as aulas, os participantes aprendem a preparar receitas emblemáticas da região, como farofa de taioba, quiche de siri e camarão no abacaxi — pratos que representam a diversidade de sabores que o entorno marinho oferece quando combinado com a criatividade culinária local.
Um dos momentos mais marcantes do curso foi a fala do chef Johelber Moraes. “Aqui em Diogo Lopes, cada ingrediente carrega uma história. A taioba que nos alimenta desde criança, o siri que as marisqueiras colhem com tanta dedicação, e o camarão que é pura festa de sabor. Nosso compromisso é transformar tudo isso em experiências gastronômicas que celebrem a nossa cultura. A gastronomia que ensinamos aqui não é só técnica — é memória, identidade e orgulho do nosso mar”.
Essa perspectiva do chef Johelber reflete a filosofia do curso: integrar técnica culinária com valorização cultural e sustentabilidade ambiental, promovendo um modelo de turismo e gastronomia que respeite o meio ambiente e fortaleça as comunidades tradicionais.
Fotos: Jaqueline Rondon